Em 1969, aos 12 anos, Brazza decidiu "ganhar
o mundo" e sair do Gama. Os pais vindos do Piauí eram
fazendeiros, mas decidiram tentar a vida no Planalto Central".
Brazza viveu uma infância difícil, já que seu
pai abandonou a família quando tinha cinco anos.
"Tinha
muita revolta naquela época. Minha mãe lavava roupa
pra manter todo mundo. "Conseguiu educar bem, ninguém
seguiu o caminho errado", diz ele.
José Afonso dos Santos Filho, Afonso Brazza, aprendeu tudo
que sabe sobre cinema dentro de um dos principais movimentos do
cinema nacional da década de 70, desenvolvido na Boca do
Lixo, em São Paulo. "Depois de 1980, quando o movimento
da Boca começou a cair, o cinema nacional nunca mais viveu
um período como aquele, com mais de 50 filmes lançados
por ano", diz ele, que morou na avenida Rio Branco de 1969
a 1980, época de grande efervescência cinematográfica
nas ruas próximas à Estação da Luz,
como a Vitória e a do Triunfo e à antiga rodoviária
de São Paulo. O local foi batizado de Boca do Lixo e ganhou
seu destaque no cinema brasileiro por flertar com o cinema marginal
e experimental, produzindo cerca de 700 filmes de 1972 a 1982.
Com o dinheiro acumulado da venda de picolés, Brazza se vestiu
com uma roupa social e burlou a vigilância, chegando de ônibus
à antiga rodoviária paulistana. "Estava arrumado,
sabia conversar, e aí pedi informações sobre
onde ficava o pessoal do cinema". Acabou parando no Brás,
onde José Mojica Marins mantinha um escritório. O
criador do Zé do Caixão simpatizou com Brazza, o que
fez com que ele começasse a trabalhar junto ao meio cinematográfico.
"Encontrei a arte na rua do Triunfo", conta.
A agitação do local iria influenciá-lo em toda
a sua produção. "Via aquelas viaturas saindo
de madrugada atrás dos vagabundos rasgando pneu... pô,
aquilo era cena de filme. Tinha um pouco de prostituição,
mas havia os pontos de encontros, o Bar Soberano, o do Saci, era
muito gostoso viver tudo aquilo". A paranaense Claudette Joubert,
sua viúva, trabalhou como modelo e atuou em comerciais de
tevê e iniciou-se no cinema ao lado de Vera Fischer, em "Sinal
Vermelho, as Fêmeas" (1972), de Fauzi Mansur, e atuou
em outros 23 filmes produzidos na Boca, como "O Exorcista de
Mulheres" (1974), "As Amantes de um Canalha" (1977)
e "Os Violentadores" (1978), os três de Tony Vieira.